Dados Históricos
Fundada oficialmente em 8 de Junho de 1982, há 21 anos, atingiu, no passado verão a maior idade, isto de acordo com o documento assinado pelo então Secretário de Estado de Rhode Island, senhor Anthony Florio onde o mesmo certifica que “John F. Correia, John B. Paiva, João Cabral, Sérgio A. Simões, Joseph Goulart, John Faria e William A. Castro, preencheram nos escritórios da Secretaria do Estado em 8 de Junho de 1982, formando uma organização ou associação sem fins lucrativos a que foi dado o nome de CASA DOS AÇORES DO ESTADO DE RHODE ISLAND, mais tarde passado para Casa dos Açores da Nova Inglaterra, com o propósito de prover oportunidades educacionais na história, arte e cultura do povo dos Açores radicado no Estado de Rhode Island e Sudoeste da Nova Inglaterra e eventualmente no próximo futuro efectuar um intercâmbio de materiais de educação e cultura entre os Açores e esta parte dos Estados Unidos.
As primeira reuniões para a formação da Casa dos Açores tiveram lugar no salão da igreja de S. Francisco Xavier, espaço oferecido pelo falecido padre Manuel Rego.
Rodolfo Ribeiro e Heitor Sousa e John Correia, foram por assim dizer os mentores da ideia trazida na altura por Renato Borges, dirigente da Casa dos Açores de Lisboa, que na ocasião visitava um irmão residente na cidade de Pawtucket, Rhode Island.
Um dos conselhos de Renato Borges em 1982 era vir a existir uma Casa dos Açores de extrema importância não só aqui, como em qualquer outra área, que se dedicasse a actividades perfeitamente diferenciadas das actividades associativas já existentes na comunidade. “Quanto a mim”, dizia então Renato Borges, “Seria um grupo coordenador que funcionaria a nível de secretariado com alguém à frente, em regime de part-time, dado que a carolice hoje em dia é insuficiente para coordenações desta natureza. Assim se houver possibilidade de haver uma ou mais Casas dos Açores deveriam lutar-se em conjunto para a resolução de problemas e nunca entrar em guerra mútua, estudando para isso uma estratégia de trabalho, e que fossem resolver problemas concretos existentes.”
Na reunião de 20 de Agosto de 1982, foi deliberada a formação de uma comissão instaladora da Casa dos Açores, em Rhode Island estando a partir do momento abertas as inscrições para sócios que viriam a formar a Assembleia Geral e para os primeiros corpos gerentes da instituição. A comissão instaladora ficou constituída por:
Presidente :
- John Correia
Secretários :
- João Cabral
- Rodolfo Ribeiro
Sócios fundadores :
- Virgílio Marcos
- Vicente Correia
- João de Deus Melo
- João Carlos Tavares
- Carlos Placido
- Florival Viveiros
- António Cordeiro
- Fernando Pereira
- António Almeida
- Florentino S. Bettencourt
- Sérgio Simões
- Joseph Goulart
- John Faria
- William Castro
- John Correia
- Rodolfo Ribeiro
- Heitor Sousa
- Rolando Raposo
A Comissão Instaladora da Casa dos Açores de Rhode Island, tem a 17 de Abril de 1983, a sua primeira Assembleia Geral, nas instalações provisórias da Escola de S. Francisco Xavier, em East Providence, daí surge a primeira direcção com os corpos gerentes da Casa dos Açores assim distribuídos:
Assembleia Geral:
- Presidente: William Castro
- Vice-Presidente: John Paiva
- Secretários: Virgílio M. Marcos e João Carlos Tavares
A Direcção dispunha-se assim:
Presidente: João Correia
- Vice-Presidente: João Cabral
- Tesoureiro: Joseph Goulart
- Secretários: Rodolfo Ribeiro e António Cordeiro
- Vogais: Florival Viveiros e João de Deus Melo.
O Conselho Fiscal:
- Presidente: Rolando Raposo
- Secretário: Florentino Bettencourt
- Relator: Vicente Correia
Ainda no final de 1982 permanecia na comunidade o sentimento de que as coisas, afincadamente, de raíz açoriana ou pró-Açores significava algo relacionado com o movimento separatista, a que certos sectores comunitários não olhavam com muito agrado.
João Correia, já presidente eleito da Casa dos Açores e no início de uma carreira política como senador estatal, que o levaria no tempo ao posto mais alto que um emigrante sonhara, foi aconselhado por essa respeitada raposa da política norte americana, o senador Clairbone Pell a não dar, pelo menos, pelos tempos mais próximos, grande actividade à nova organização de carácter açoriano, dado o contexto da política portuguesa, que, na altura, não muito amistosa com os EUA.
E, foi assim que de certo modo sem fazer ondas nem levantar pseudo-ilacções, como acontece nos tempos de hoje, que João Correia, propositadamente deixou a Casa dos Açores no olvido.
Passaram-se pois mais 8 anos e, perene das melhor vontade, surge no inverno de 1990 Leonardo Oliveira, coadjuvado por um grupo de amigos seus conterrâneos a empenhar-se em fazer ressurgir a Casa dos Açores, que logo depois e por proposta nossa virou a Casa dos Açores da Nova Inglaterra.
Desses tempos assoma como primeiro presidente desta segunda fase da Casa dos Açores, o jovem advogado Paulo Bettencourt, depois o dinâmico José Soares, que teve papel relevante na educação de perto coadjuvado com Emília Mendonça, nós, depois João Luís Pacheco Morgado, para bem da Casa dos Açores aparece a tomar posse da presidência e leva-a maravilhosamente em todos os aspectos e depois nós por dois mandatos cuja gerência termina no próximo mês e no render da guarda, estará Mariano Alves com a actividade e labor que todos lhe reconhecemos.
Seria demasiado longo fazer aqui um balanço de todas as actividades da Casa dos Açores, desde a primeira hora da sua fundação, isto para um discurso de circunstância, porém creio não ser descabido aqui referir em termos sucintos o que foram as actividades da CANI no período em que estivemos à frente dos seus destinos.
Na mente de todos os presidentes desta organização sempre esteve presente o diversificar actividades das já existentes e promovidas por associações, clubes ou outras organizações ditas culturais. Nunca pretendemos ser, como alguém por aí faz crer, uma associação de doutores, um grupo de elite. Estão completamente errados os que assim pensam e até asseveram ser isto impedimento de não termos um progresso mais acelerado.
Não estarão de todo errados aqueles que pensam que a nossa organização constituída por vários ramos, seja à cultura aquela que mais atenção damos. Não foge também à realidade aquele que pensa que estamos mais virados para um cultura mais sofisticada, não direi erudita, mas uns graus largos acima da cultura popular que nós vemos semanalmente desenrolar nas ribaltas dos nossos grupos recreativos dinamizados pelas danças, folclore e cantares improvisados, que também são parte integrante e alguma genuína da nossa secular cultura. Nós apenas diversificamos, para podermos justificar a nossa existência e provar o nosso gosto por essa cultura que principiou na escola, guindou o liceu e para muitos foi até à Faculdade.
Não somos nem melhores, nem piores do que os outros: somos a Casa dos Açores da Nova Inglaterra com a sua forma de estar, informando – formando.
As nossas I Jornadas Culturais tiveram lugar no nosso primeiro ano de direcção ou seja em Setembro de 2000, e dos Açores vieram alguns conferencistas que pela primeira vez falaram para o nosso auditório. Foram tratados vários temas, desde a história à economia e educação nos Açores.
Como nos anos anteriores apoiamos todas as iniciativas de registo para a cidadania americana e auxiliamos centenas de concidadãos no preenchimento de documentação.
Demos continuação periódica ao nosso Boletim, procuramos boa colaboração e hoje estamos a fazer um boletim que não envergonha mantendo a certeza de que ele poderá crescer em quantidade e qualidade se a componente publicidade der um pulo que justifique. Temos alguns números de referencia, nomeadamente aqueles que homenageamos figuras de relevo da nossa literatura e do pensamento.
Apoiamos o lançamento de vários livros de autores comunitários e de outros que de Portugal se deslocaram para o efeito. Demos guarida, conjuntamente com o Grupo Amigos da Terceira e Centro Cultural de Santa Maria a exposições várias e a pintores da comunidade.
Numerar todos esses eventos por sequência cronológica seria enfadonho, razão por que nos cingimos a numerar os principais do rol das nosso actividades.
Nestes quatro anos – como o tempo passa!.. creio que fizemos para ficar o Boletim, que poderá surgir tipo Revista, tudo depende do que a nova direcção poderá fazer neste aspecto, demos continuidade às Jornadas Culturais, e aqui abrimos um parêntese para com justiça referir ao auxilio que nos tem concedido a FLAD – Fundação Luso Americana para o Desenvolvimento, da direcção do Doutor Rui Machete, à Sata internacional em parte e ao Governo Regional dos Açores.
Não conseguimos, como seria nosso desejo, arranjar casa para a nossa CASA. A ideia da escola devoluta em East Providence ainda não está completamente posta de parte. A administração da cidade ainda não resolveu em definitivo o que vai fazer naquele espaço, daí que nos reste uma ténue esperança. Aguardemos.
É muito provável que a Casa dos Açores viesse a ter aquele edifício em breve manifestando o seu peso político através de uma publica petição ou abaixo assinado, de que resto diga-se ainda não foi feito e poderá servir como armas de recurso para quem depois de nós vier a interessar-se pelo assunto.
A direcção cessante congratula-se com o facto de ter fundado um grupo de teatro durante a sua administração, graças ao Luís dos Anjos que entretanto teve de regressar à sua origem os Açores. O tempo dirá do seu regresso. Entretanto o grupo fez sucesso e depois da saída do Luís dos Anjos foi composta uma comissão agregada à CANI, que preside aos destinos do agrupamento o qual espera reactivar-se quando a altura for propícia.
No nosso ponto de vista para além de se aumentar a divulgação do Boletim convertendo-o em revista, manter as Jornadas Culturais sempre na mesma altura do ano, ou seja princípios de Outono e continuar com o Teatro imprimindo-lhe sangue novo e mais originalidade e sobretudo continuar com as campanhas de angariação de sócios e aumentar as respectivas quotas para alívio da tesouraria.
Na parte educacional dar continuidade ao sucesso que tem sido as aulas as aulas para a obtenção da cidadania americana, lembramos que actualmente temos mais de 30 alunos com possibilidades de aumentar o que constitui recorde.
Realizar de colaboração com a Fundação Fátima Martins as sessões de preenchimento da documentação para a cidadania.
Para finalizar estas já longas palavras, cometeria uma falta gigantesca se não agradecesse aos meus colegas de direcção todo o apoio e a prestante colaboração para já não falar no sacrifício em horas de trabalho, que ao longo dos vários anos, e não só no tempo da direcção que cessa funções, tem doado à causa da CASA dos AÇORES. Devo referir aqui e agora os nomes desses grandes AMIGOS da CANI: João Luís Pacheco Morgado, João de Sousa, Onésimo de Almeida, Virgílio Marcos em especial e, em particular, a toda a restante direcção cujos membros que fizeram o que puderam.
Não desejo terminar sem esquecer a boa colaboração que tivemos de quem já não está no nosso convívio, Fernando Teixeira de Medeiros o qual deixou-nos surpreendidos foi a sepultar na passada semana. Aqui evocamos com saudade a sua eterna memória. Paz à sua Alma.
